Palhaço Cocada fala sobre o improviso. Dicas para atores diretamente do Retiro dos Artistas
Postado por Leonardo Salo | October 2, 2008
Segue matéria publicada no site da Unimed:
A história do palhaço Cocada começa em 1919, em São Gonçalo, município do estado do Rio de Janeiro. Irmão do meio de uma família de três filhos, ele perdeu a mãe aos 8 anos. O pai, com apenas 30 anos, não conseguiu dar o apoio afetivo e material de que a família precisava. Altair Farias da Silva, que ainda não era o Cocada, teve que assumir responsabilidades de uma vida de adulto. O sonho de se tornar um advogado, como Rui Barbosa, foi deixado de lado, por não ter acesso à educação formal.
Alguns anos depois, um circo chegou à sua cidade e, não tendo dinheiro suficiente para comprar a entrada, ele decide entrar por baixo da lona. Mas, o vigia do circo o pegou no flagra e, para conseguir assistir ao espetáculo, a dona propôs que ele passasse a vender doces antes do início dos shows. Ele aceita e Altair passa a vender cocadas.
Cocada entrou no circo e não saiu mais. No início, ele participava do chamado segundo ato, o teatro que sucedia o espetáculo circense. Mas, seu talento para alegrar as platéias foi logo evidenciado e muitas pessoas tiveram o prazer de receber um pouco da alegria que Cocada espalhava pelos picadeiros, em mais de 70 anos de carreira. Durante estes anos, ele aprendeu a superar as dificuldades e tristezas com muitos sorrisos e gargalhadas.
Já com a idade avançada, Cocada perdeu a sua terceira mulher e, logo em seguida, teve uma forte trombose, que o levou a ficar internado por alguns meses. Após a alta do hospital, os gastos com remédios, comida e moradia já eram mais altos do que ele recebia. Foi aí que ele resolveu ir para o Retiro dos Artistas, instituição que recebe e auxilia artistas desde 1918. Ele recebeu apoio com sessões de fisioterapia, alimentação e moradia, além da companhia de outros artistas que moram lá.
Em sua casa no Retiro, sempre com muitas flores e bem arrumada, ele vive desde 1997. Por lá, ele conversa com todos, alegra as pessoas, participa de encenações teatrais, conta muitas histórias do tempo do picadeiro,e, aos 88 anos, prova que não há idade para ser feliz.
FONTE: Unimed Rio.
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