A escritora lançou em 2005, pela Editora DCL, o livro “Era uma vez, Andersen”, uma obra comemorativa dos 200 anos de Hans Cristian Andersen. Katia Candon estudou arquitetura, arte e jornalismo. Katia concluiu os cursos de mestrado e doutorado na Universidade de Nova York e já lançou cerca de 20 livros pela DCL. Nós conversamos com ela na ocasião do lançamento deste livro.
O que me chamou a atenção nos últimos dias é que tenho visto bastantes crianças e adolescentes passeando com este livro na mão, então resolvi republicar a matéria!
Fale um pouco de como surgiu a idéia para escrever o livro:
Katia Canton: Esse livro é comemorativo dos 200 anos do Andersen. A Editora me pediu para pensar como vejo o Andersen, já que fiz uma pesquisa de doutorado sobre o assunto, uma pesquisa sobre contos de fadas, como eles surgiram. É interessante pensar no Andersen com escritor de contos de fadas que foge um pouco da regra da maioria dos autores de contos de fadas, que pegam contos tanto da tradição oral quanto da tradição dos manuscritos medievais e os adapta. O que difere o Andersen dos outros é que a maioria dos contos são criados por ele, não são adaptados dessa tradição oral. Esses contos criados por Andersen vinham diretamente da experiência da vida pessoal dele. Ele foi um rapaz pobre, o pai dele era um sapateiro que adorava teatro. Além de sapateiro, ele fazia teatrinho de recortes. O pai de Andersen morreu muito cedo e eles eram muito pobres.
Quando o pai dele morreu, ele foi obrigado a trabalhar para se manter. Ele foi aprendiz de alfaiate, teve várias profissões até resolver gostava mesmo era de teatro. Ele era bem desengonçado, era muito alto, magro, então “tiravam sarro” dele. Ele foi para o Teatro de Copenhagem trabalhar numa ópera, mas ao invés de se dar bem como ator, ele se deu bem escrevendo as peças. Percebendo o talento dele, um dos diretores do teatro que era um homem muito rico, adotou o Andersen. Colocou-o num internato para aprimorar mais a sua escrita. Aí, ele começou a gostar de livros. Muitos dos livros de Andersen são quase um “re-conto” da história de vida dele.
Qual seu conto preferido?
Katia Canton: Eu adoro justamente um conto que trabalhei na minha tese de doutorado e que é muito popular na Europa, mas aqui no Brasil não é. Trata-se do conto “A rainha da neve”. É um dos primeiros do Andersen e é um conto muito longo, talvez por isso não seja tão popular assim aqui no Brasil. É uma história dentro de sete historias, que são divididas no livro por. É uma historia linda de um resgate, de uma amizade de duas crianças, em que uma delas fica com o coração congelado. A outra faz uma viagem pelo mundo atrás desse amiguinho que está com o coração congelado e que acabou sendo aprisionado pela Rainha da Neve. Ele acaba conseguindo resgatar o amigo .
Além dos contos, que tipo de livros você gosta de ler?
Katia Canton: Tudo. Eu amo a literatura. Desde criança, eu devorava Machado de Assis, Monteiro Lobato. Eu gosto também de literatura francesa. Gosto muito também de poesia, talvez seja o que mais eu leia. De coisas contemporâneas eu também gosto.
Como você vê a situação das bibliotecas no Brasil?
Katia Canton: É difícil ainda. a gente tem uma população enorme que consome ainda muito poucos livros. As bibliotecas publicas são essenciais. Felizmente, eu vejo muitas iniciativas muito interessantes não só na esfera publica, como na iniciativa privadas. Eu vejo muitas Ong´s voltadas para essa questão da formação das bibliotecas. Lá em São Paulo, tem várias, tem muita gente priorizando essa questão. Tem muitas mulheres jovens, por exemplo, recolhendo nas editoras livros para na Amazônia formar bibliotecas publicas e as “caixinhas” das bibliotecas são feitas por presidiários de Belém do Pará. É um barato porque beneficia presidiários, crianças carentes e comunidades ribeirinhas. É muito legal. Mais não adiante temos um monte de livros, se não educarmos as pessoas para lerem mais livros. Mas temos que criar mais bibliotecas. A internet, por exemplo, não e uma coisa ruim. Mas precisamos tomar mais gosto pela leitura. Eu gosto muito da internet, mas o livro é uma obra de arte. O livro é absolutamente diferente. O livro não é virtual, é real.
Compare preços do livro, clicando na capa!

