
Estamos num país atordoado por sucessivos escândalos envolvendo praticamente todas as esferas governamentais. Estamos num país onde o Presidente do Senado tem sua vida exposta devido à sua boa relação com lobistas e dirige assembléias no Senado Federal com menos de 10 senadores presentes. Em nosso país, a Ministra do Turismo aconselha as pessoas que perderam seus vôos a “relaxarem e gozarem”…
Enfim, poderia citar aqui vários outros episódios recentes envolvendo autoridades, mas devo antes disso lembrar também que estamos no país onde a corrupção atinge a todas as camadas da sociedade. Vide por exemplo, as incontáveis carteirinhas falsas de estudante que circulam por aí.
Enfim, na terra onde se tem como lema o “levar vantagem em tudo”, eis que me surge um juíz no Paraná que realmente se preocupa com a dignidade do Pode Judiciário Brasileiro. Parece piada, né? E é. Realmente é uma piada o que aconteceu no município de Cascavel-PR. Num país onde se respira corrupção, um juíz se preocupa em manter a dignidade da justiça através de atitudes discriminatórias contra pessoas de baixo poder aquisitivo.
No dia 13 de Junho, o juiz Bento Luiz de Azambuja Moreira, da Terceira Vara do Trabalho no Municipio de Cascavel-PR, alegou que o chinelo de dedo de Joanir Pereira, era um “calçado incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”. Com este argumento, ele suspendeu a audiencia, adiando a mesma Que palhaçada! A dignidade da justiça agora se mede pela aparência das pessoas, que vergonha!
O caso acabou ganhando repercussão nacional e para tentar remediar a vergonhosa situação, Bento ofereceu um par de sapatos de presente para Joanir, que não aceitou. A segunda audiência ocorreu de forma tranquila e em cerca de 40 minutos Joanir e a parte reclamada acabaram fechando um acordo. Desta vez, o trabalhador pediu sapatos emprestados e desta forma não agrediu a dignidade da justiça.
Veja abaixo veja a vergonhosa audiência do dia 13/06:
Numeração única: 01468-2007-195-09-00-2
Reclamante: Joanir Pereira
Reclamada: Madeiras J. Bresolin Ltda.
TERMO DE AUDIÊNCIA
Aos treze dias do mês de junho de 2007, às 15:10h, na sala de audiências da 3ª Vara do Trabalho de Cascavel, sob a direção do Juiz do Trabalho Dr. BENTO LUIZ DE AZAMBUJA MOREIRA, foram apregoados os litigantes.
Presente o(a) reclamante, acompanhado(a) de seu(sua) procurador Dr. Olímpio Marcelo Picoli (OAB/TO 3631) .
Presente o(a) reclamado(a), por intermédio do preposto José Orlando Chassot Bresolin, acompanhado(a) de seu(sua) procurador Dr. Heriberto Rodrigues Teixeira (OAB/PR 16184), que junta procuração, carta de preposição e contrato social.
O Juízo deixa registrado que não irá realizar esta audiência, tendo em vista que o reclamante compareceu em Juízo trajando chinelo de dedos, calçado incompatível com a dignidade do Poder Judiciário.
Protestos do reclamante.
Em face da providência, o Juízo designa nova data para instauração do dissídio, dia 14 de agosto de 2007 às 14h30min.
Cientes as partes.
Nada mais.
Audiência encerrada às 16H10h.
E para constar, eu Suzeli Maria Idalgo Becegato, Assistente Administrativo de Sala de Audiências, digitei a presente ata.
BENTO LUIZ DE AZAMBUJA MOREIRA
Juiz do Trabalho