Entrevista: Bispo Renato Maduro

Entrevista: Bispo Renato Maduro

Renato Maduro

Renato Maduro fala sobre seu livro: “A droga mais forte”.


LEONARDO “SALO”: Como surgiu a idéia de escrever o livro?

RENATO MADURO: A idéia surgiu por causa da dor que eu senti, da destruição que as drogas me causaram e também da idéia de orientar os pais a respeito de como lidar com seus filhos drogados, porque quando os pais descobrem que um filho é viciado.

LEONARDO “SALO”: Como é em geral a reação dos pais, Renato?

RENATO MADURO: Primeiro eles têm um susto, porque ninguém cria um filho pra ser um bandido nem um viciado, mas pra ser alguém na vida, ocupar criam com amor e carinho pra projetar o filho, mas de repente descobre qualquer coisa e que aí fala:
“Seu bandido, você é a ovelha negra da família”. Este tipo de coisa só me afundou mais. Eu pensei comigo mesmo: eu tenho que escrever isso porque deve ter muitas mães e muitos pais passando pelo que a minha mãe e meu pai passaram, faço questão de escrever também porque a rapaziada hoje em dia entra numa de que se fumar um baseado se uma rapinha de cocaína não pega nada e não é bem assim.

LEONARDO “SALO”: Álcool é droga?

RENATO MADURO: É droga, apesar de não ser considerada uma droga sintética, ela faz a mesma coisa que qualquer droga faz, ataca fígado, pâncreas, sistema nervoso, é uma droga sim!

LEONARDO “SALO”: Como foi que você conseguiu obter forças para sair?

RENATO MADURO: Foi quando alguém abriu meus olhos dizendo que por detrás dos meus 12 anos uma droga havia uma força ruim, que dominava a minha força de vontade Eu acreditei nisso, porque pela minha força de vontade eu não consegui. Pela clínica eu não consegui, pelos meus pais eu não consegui, pelo psiquiatra eu não consegui, eu precisei ter uma força maior, foi quando me levaram para a igreja. Isso tem 30 anos, eu recebi uma oração para tirar isso de mim, esse caso espiritual.

LEONARDO “SALO”: Como foi o seu encontro com as drogas? Depressão? Ou só “onda” mesmo?

RENATO MADURO: De vez em quando pra curtir uma discoteca, um baile funk, a rapaziada vai naquela de que “um tapinha não dói”… Cara, isso aí é um pulinho para o submundo das drogas. Começa em um sábado, depois é todo sábado e depois todo dia. Eu tinha um lar muito bem estruturado, em uma família bem estruturada, estudei em escola particular, freqüentei clubes, eventos sociais. Meu pai não usava nada, ninguém lá em casa fumava ou bebia. Eu simplesmente via a rapaziada fumando e por pura curiosidade falei: “vou nessa”. A princípio eu achei que não tinha nada demais e nisso eu mergulhei 12 anos em maconha, cocaína, anfetamina, LSD, etc. Uma coisa foi levando à outra.

LEONARDO “SALO”: Como foi o seu “fundo do poço”?

RENATO MADURO: Me deu uma loucura que um dia eu tomei 32 picadas e tive um princípio de overdose. Fui parar numa clínica, foram 2 semanas e foi aí que eu encontrei o apoio da igreja, da minha namorada… Foi o meu fundo do poço. Me levaram para lá porque depois das 32 picadas eu apaguei, aí foi quando a barra pesou, mas depois eu me recuperei, voltei a trabalhar, estudar, me estruturei, me casei, tive meus filhos e então pensei agora que era a hora de escrever para ajudar outras pessoas.

LEONARDO “SALO”: O que diria para os jovens?

RENATO MADURO: Pra quem já está, mas tem a força de vontade pra sair, saia voando. Mas quem não tem força pra sair, busque a força de Deus. Quem está pensando em entrar, não entre nessa, não pense que vai pra curtir uma parada, eu também pensava assim, um baseado, um tapinha, uma rapinha… Isso aí é um trampolim pro submundo das drogas.

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