Auto de Angicos
Postado por Leonardo Salo | October 16, 2007
Como sempre, o Lote cultural contou com o apoio da Assessoria de Imprensa da Cultura Niterói (vale a pena dar sempre uma conferida na agenda), em especial à pessoa da Mariana Pache, e fui assistir ao “Auto de Angicos”, peça estrelada por Marcos Palmeira e Adriana Esteves.
A peça propõe um Lampião diferente, mais emotivo, mais ligado à questões de existência, sentimento, culpa e razão e menos focado na questão do cangaço.
Logo de cara, o anoitecer do sertão realmente emociona, é um efeito realmente muito bonito. Caso for assistir ao espetáculo, preste bastante atenção neste começo.
Mas voltando às questões existenciais, o texto é bastante interessante. Foca realmente a questão dps sentimentos deste folclórico personagem brasileiro. Entretanto, eu sinceramente não sei se realmente este é o Lampião tão diferente assim.
A peça narra um último diálogo entre Maria Bonita e Lampião, momentos antes da morte do casal, na Gruta de Angicos em 28 de Julho de 1938.
O ponto de partida da história é o amor. Virgolino e Maria representam não apenas um modelo de subversão da ordem estabelecida, mas também a possibilidade do amor num meio onde só a morte era uma companheira fiel. É a partir desta relação que o texto debate os excluídos, a violência da mídia, da sociedade e a individualidade do ser humano. “Maria e Virgolino foram muito fiéis um ao outro num ambiente em que não se podia confiar em ninguém, a não ser em si próprio”, explica o diretor Amir Haddad.
Marido e mulher, Lampião e Maria Bonita são os dois mais importantes personagens relacionados ao banditismo brasileiro na primeira metade do século XX. Expoentes do fenômeno social do Cangaço, eles estabeleceram no nordeste brasileiro um quadro de lei e ética, que por décadas funcionou paralelamente ao sistema político do Brasil. E assim parecemos viver até hoje. Numa eterna guerra entre os que governam e os que se sentem marginalizados.
“A peça discute como a violência se instaura na sociedade brasileira, trazendo, porém, uma nova luz para esta questão. Apesar de relatar uma história antiga, o texto é muito atual, tratando de assuntos como a marginalidade e o crime organizado”, explica Amir Haddad.
FICHA TÉCNICA
Texto - Marcos Barbosa
Direção e dramaturgia - Amir Haddad
Elenco - Marcos Palmeira e Adriana Esteves
Iluminação: Paulo César Medeiros
Cenários e figurinos: Nello Marreze
Trilha sonora: Caique Botkay
Fonte das informações adicionais: divulgação.
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