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Recordar é viver: entrevista com Oswaldo Montenegro

Postado por Leonardo Salo | November 16, 2008

 

Mais de 25 anos de carreira e suas músicas seguem cada vez  mais atuais, afinal de contas a boa música não envelhece. Há 4 anos atrás, Oswaldo Montenegro rrealizou uma curta temporada no Teatro Municipalde Niterói. Na ocasião, conversei um pouco e fiz algumas perguntas para o cantor:

 

Qual a importância dos festivais sua vida?

Oswaldo Montenegro: Representou a oportunidade de ser veiculado para um grande público. Eu tinha até então uma imagem para a minha gravadora de um artista que não era popular, um artista que seria restrito a um público mais intelectualizado. E o festival era um instrumento, uma maneira que a gente tinha de tornar essa música mais popular e deixar que o povo, que o público julga-se o que é popular ou não, quer dizer de certa maneira ele é até cruel tanto para o artista quanto para o público, que haja entre o público e o artista uma teia que vai julgar se uma música é popular ou não. O festival deixava apresentar direto para o público, portanto sem esse crivo anterior. A primeira música minha que lancei como compositor num festival foi “Bandolins”, que era para a gravadora uma música inviável comercialmente falando. Então, o festival para mim foi muito importante, não sei se hoje ele poderia cumprir a mesma missão, os tempos são outros, as mídias são outras, mas naquela época foi muito importante.

 

O que você acha do cenário musical atual no Brasil?  

Oswaldo Montenegro: Eu acho o cenário muito interessante, porque o Brasil é muito interessante. Agora, nem sempre o cenário mais interessante é o que está apresentado pela mídia de massa. Mas em geral, eu acho que o Brasil é um país que tem muitos talentos, porque tem uma miscigenação cultural muito forte.

 

Mas suas músicas continuam atuais…  

Oswaldo Montenegro: A maioria continua atual, porque eu nunca fui um observador político factual, eu nunca escrevi sobre a notícia do dia.  Eu sempre escrevi coisas que estão sempre no ser humano, que sempre estarão, histórias que eu vi por aí.  Então, por exemplo, “Bandolins” é uma mulher completamente sozinha, surtada achando que está acompanhada.  Eu escrevo sobre arquétipos, sobre símbolos. Raramente eu escrevo sobre a notícia do dia.  Como por exemplo, eu nunca escrevi sobre a Guerra do Vietnã, que depois ia acabar e deixar de ser atual.    Eu escrevo muito mais sobre o que vejo por aí.

 

O que você acha de programas como Raul Gil e Fama?  

Oswaldo Montenegro: Eu acho que qualquer programa que incentive a abertura de espaço para um artista novo é um programa bem vindo, é um programa bacana. Agora, a necessidade de impressionar o jurado, de ser bonzinho, ou de corresponder à expectativa dos juízes pode fazer com que o artista ao invés de botar a sua marca, tenha uma necessidade de mostrar dotes musicais ou vocais. Eu acho que o artista não é um animal de circo, ele é porta-voz do sentimento humano. Eu falo isso, porque no início da minha carreira era uma pessoa que me exibia ou tentava me exibir, depois eu via o quanto estava errado. Eu acho que no programa de calouros, quando a música é do calouro, ele quer mostrar a sua música, quando a música é de outro ele quer mostrar a sua voz, isso é perigoso. Eu acho que deveria ter uma orientação para a garotada que vai lá, para que fossem acima de tudo sinceros. A única coisa que pode fazer para que o artista tenha sucesso duradouro, é o artista ter a sua marca. Só se tem marca quando se é absolutamente honesto. Se você quiser imitar ou agradar alguém, você está lascado.

 

Teve algum fato nesses 25 anos que você gostaria de tirar da sua carreira?  

Oswaldo Montenegro: A minha agressividade no início da minha carreira.  Eu fui uma pessoa muito agressiva, eu era muito obcecado pela arte, eu perdia a cabeça.  Hoje em dia gosto de ser passional, mas no sentido da doçura.  Então eu tenho verdadeiro horror da época que eu fui uma pessoa agressiva.

 

Qual a sua relação com a leitura? 

Oswaldo Montenegro: A leitura substituiu a minha absoluta obsessão por ver filmes, mas eu sempre fui um leitor voraz.  Leio bem menos que eu gostaria, mas sou assíduo.  Eu acho que a leitura é legal, porque ela obriga o cara a imaginar, ela desfaz a possibilidade da preguiça.  Na televisão e no filme já vem tudo pronto.  Na leitura a gente tem que pensar, eu acho isso importante. Acho que devemos incentivar a leitura ao máximo. 

 

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Post classificado na(s) categoria(s): Entrevistas, by SALO |

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