Livros mais baratos só serão importantes quando houver “cultura da leitura”

Às vésperas do Dia Mundial do Livro, a ser comemorado nesta quarta-feira (23), a sanção da Lei 11.033/04 – que isenta  livrarias, editoras e distribuidoras de pagarem tributos como PIS/Pasep e Cofins – completa três anos e cinco meses. Se a desoneração obtida pelas empresas for repassada ao leitor, as publicações deveriam ter o preço reduzido.

À época da sanção, em entrevista à Agência Brasil, o então coordenador do Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL), Galeno Amorim, fez a previsão de que em quatro anos o livro estaria 10% mais barato.

Próximo de vencer esse prazo, o atual coordenador do programa, Jéferson Assunção, mantém a estimativa, mas acrescenta que a desoneração é apenas um dos pontos para estabelecer, no país, a “cultura da leitura”.

“É muito importante a desoneração, mas ela precisa vir acompanhada de outras ações para transformar a sociedade brasileira numa sociedade leitora. Toda sociedade leitora tem escolas que sabem formar leitores. Precisa que haja famílias leitoras, então, é necessário desenvolver ações para a leitura em família. E dois pontos quantitativos: o acesso, por meio das bibliotecas, e o preço do livro”, defendeu Assunção.

Uma das ações destacadas pelo coordenador é o Prêmio Viva Leitura, que seleciona anualmente projetos desenvolvidos pela população para estimular o hábito de ler. O vencedor do ano passado foi a Borrachalioteca.

Para chegar ao patamar desejado, o coordenador defende “desde essas ações pequenas até a instalação e modernização de bibliotecas, que é ação do Ministério da Cultura. Este ano vamos chegar perto de zerar o número de municípios sem biblioteca no país”.

Enquanto o preço não diminui, nem as bibliotecas chegam a todas as cidades, a escritora de livros infantis Stella Rodopoulos – que concedeu entrevista ao programa Cotidiano, da Rádio Nacional – doa livros para estimular a leitura, principalmente entre as crianças.

“Eu faço o possível para doar livros. Hoje em dia não é fácil a criança ter acesso a eles, não é fácil os pais tirarem dos alimentos das crianças  para comprar um livro, então quando eu posso eu dôo. A minha felicidade é ver um livro meu espalhado por aí”, disse Stella. Ela afirmou ter sido influenciada a escrever pela obra de Monteiro Lobato, autor da coleção Sítio do Picapau Amarelo.

Por: Morillo Carvalho

Fonte: Agência Brasil

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