Entrevista: Rogério Andrade Barbosa, o escritor viajante

Rogério Andrade Barbosa é professor, escritor, contador de histórias e ex-voluntário das Nações Unidas na Guiné-Bissau. Graduou-se em Letras na UFF (RJ) e fez Pós-Graduação em Literatura Infantil Brasileira na UFRJ. Trabalha na área de literatura Afro-Brasileira e programas de incentivo à leitura, proferindo palestras e ministrando cursos. Maiores informações podem ser obtidas em seu site pessoal.

 

 

Salo: Fale um pouco sobre a coleção Brincante:
Rogério Andrade: Pois é, eu lancei uma coleção de livros pela FTD chamada Brincante, que relata vários aspectos do nosso folclore e das nossas tradições culturais. Eu já tinha escrito um livro sobre o mamulengo, que é o teatro de bonecos lá no nordeste. O outro volume foi sobre o Boi Mamão, em santa Catarina e tenho também outro volume sobre o Morro da Mangueira. Todo mundo pensa que lá é reduto somente de samba, mas lá tem núcleos de folia de reis, por incrível que pareça! Falo também sobre a festa de Nossa Senhora do Rosário, que é relizada em Itapecirica- RJ. É uma festa popular muito bonita eu estive lá pesquisando e saiu este trabalho.

 

Salo: Você gosta muito de viajar, não é?
Rogério Andrade: Sou conhecido como o escritor viajante, eu gosto de ir aos lugares, já corri o Brasil todo e já conheço boa parte do mundo também. Eu gosto de escrever sobre as coisas que eu vi, que eu presenciei. No caso das festas, por exemplo, eu assisto as apresentações, converso com os mestres, registro as canções, anoto as letras das canções, registro o vocabulário deles, é um trabalho que requer muita pesquisa. Eu gosto muito.

 

Salo: Qual o lugar que lhe rendeu mais histórias para contar?
Rogério Andrade: Sempre tem passagens interessantes, porque eu já viajei tanto… Eu morei na África por dois anos, fui voluntário da ONU em Guiné-Bissau, fui dar aulas lá e tudo. Foi uma das partes marcantes que eu tive na minha vida, essa minha experiência na África. Desta experiência saíram muitos e muitos livros. Eu já tenho uns 62 livros publicados e metade da minha produção fala sobre a cultura afro-brasileira e então eu sou muito encantado por essa tradição.

 

Salo: Alguma vez você já se surpreendeu encontrando uma realidade diferente da que esperava em determinado lugar?
Rogério Andrade: Tem lugares que você já tem uma idéia de que vai encontrar uma coisa maravilhosa e às vezes encontra coisas bem diferentes, ou vice-versa. Mas geralmente nos lugares que eu vou eu já li muito já estudei muito sobre determinada festa ou tradição, então eu geralmente acerto em cheio.

 

Salo: É boa a receptividade das pessoas de países africanos, quando você afirma ser brasileiro?
Rogério Andrade: Quando você fala que é brasileiro, as pessoas já abrem um sorriso. Mas o conhecimento que eles têm do Brasil são o futebol, o carnaval e as novelas. As novelas brasileiras fazem muito sucesso, sobretudo em outros países de língua portuguesa: Guiné, Angola, Moçambique, etc… Mas deste pouco conhecimento que eles tem do Brasil, eles tem o mais importante: eles sabem que o Brasil é um país que tem uma forte influência da cultura afriacana.

 

Salo: E como você se sentia em suas viagens pela África?
Rogério Andrade: Eu me senti em casa, parecia que eu estava na Bahia. Muito sol, calor, a comida muito parecida, o gosto que eles têm pela música, pelo futebol e pela dança, é um povo muito alegre. Mesmo sendo um povo que passou por uma grande guerra.

 

Salo: Rogério viaja também pela Internet? Aproveitando a pergunta, você acredita no fim do livro ou isso também é “uma viagem”?
Rogério Andrade: A internet na verdade é uma fonte de pesquisa, é interessante se você não ficaasó em joguinho ou batendo papo. Mas eu devo reconhecer que esta é uma nova geração, com novos hábitos, A Internet no Brasil ainda tem muito a crescer, vai para o interior do Braisl, por exemplo…  Até os livros estão distantes de chegar, eu viajo por aí tudo e vejo  que faltam bibliotecas, mas quanto à competição internet X livro, eu penso que o livro ainda tem o seu lugar ee terá durante muito tempo. Não acredito no fim do livro, isso é uma coisa muito futurista, pode até der que num futuro distante acbae o papel, sei lá, mas existe o prazer de você folhear um livro… Não da pra ler muita coisa num aparelho. Uma ou duas páginas vai lá, mas um livro de 400 páginas não dá pra ler nauela telinha, né? A vista cansa.

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