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Entrevista: Cyndi Lauper

Postado por Leonardo Salo | June 21, 2008

Ela é uma Diva por direito, mas o ícone pop Cyndi Lauper sabe que as garotas tem muito mais diversão junto com os amigos. Essa é a idéia por trás do álbum Bring Ya To The Brink, uma vibrante coleção de faixas dançantes que ela criou com a colaboração de artistas e produtores com Basement Jaxx, The Scumfrog and Richard Morel. A festa continua com a “True Colors Tour”, onde Lauper se juntou a um time variado de artistas gays e simpatizantes da atualidde, incluindo Andy Bell, o vocalista do Erasure em carreira solo, The B’52s, The Indigo Girls, Rosie O’Donnell, The Cliks e Tegan and Sara, só para citar alguns. A turnê “True Colors Tour” visa a arrecadação de fundos para “Human Rights Campaign. Lauper conversou com o site Bay Windows sobre retribuição aos seus fãs, a inspiração em “Alan Cumming” e onde conseguir a melhor sopa de amêijoas da cidade (amêijoa é uma espécie de molusco e a sopa de amêijoa é uma sopa grossa, feita basicamente à base de peixe ou marisco, especialmente as almêijoas, e legumes, como batata e cebola, tomate e leite, isso mesmo, leite…é um prato típico por lá).

Esta entrevista foi publicada originalmente no site Bay Windows. A matéria original é de Brian Jewell e a tradução de Rogério Silva. A reprodução se dá aqui mediante a autorização de ambos.

Bay Windows: Fiquei empolgada porque a “True Colors” vai começar em Boston esse ano. Estou feliz que comece em Boston, é meu lugar favorito. Eu aposto que você fala isso para todos os repórteres.

Cyndi Lauper: Não, é verdade. Meu primeiro álbum foi lançado em Boston. “Girls Just Wanna Have Fun” estourou em Boston por causa do Sunny Joe White (Sunny Joe White é um dos mais respeitados programadores de rádio nos Estados Unidos).

Bay Windows: Eu não sabia disso, vamos ouvir a “Kiss 108”. (Kiss 108 é a rádio onde Sunny Joe White é locutor e programador)

Cyndi Lauper: De qualquer forma, eu amo aquele lugar. Tem um restaurante, que eu não vou dizer o nome porque senão eu não vou conseguir ir mais lá (porque se ela falasse o lugar ia começar a lotar) mas tem esse lugar que eu vou por causa das amêijoas (a sopa descrita acima). Eu vou trazer a Rosie e o seu ônibus de turnê. Ela leva esse lance de “estrela do rock” muito a sério (nessa parte, a Cyn mudou totalmente de assunto, como ela costuma fazer nas entrevistas, e da sopa mudou para o assunto da Rosie O’Donnell, brincando com o fato dela ter um ônibus próprio para a turnê, como se fosse uma estrela do rock…hehehe).

Bay Windows: Ela faz tudo por você.

Cyndi Lauper: Ela faz, ela faz! (risos)…

Bay Windows: Bring Ya To The Brink é uma grande mudança comparando com seus últimos álbuns. Enquanto os outros são de uma linha meio devagar, você lança um álbum com músicas para dançar…

Cyndi Lauper: Eu sempre viajo (viajar na criatividade, na criação). Eu quis me afastar dos últimos dois trabalhos. Aqueles (os últimos dois, “At Last” e “TBA”) foram um tipo de projeto paralelo. Eu quis voltar a fazer música moderna, voltar a ser eu mesma. E eu saí muitas vezes com meu amigo Alan Cumming, porque eu fiz aquela peça com ele, a “The Threepenny Opera”, e a gente sempre saía para dançar. Essa é a grande vantagem de se fazer uma peça, todos saem para se divertir depois da apresentação ao invés de irem para o ônibus! Nós nos divertimos muito, e eu me sentia um pouco triste porque eu sabia que eu não estaria com eles por muito tempo. Então eu achei que seria legal escrever música dançante porque assim, quando eu partisse, nós poderíamos continuar dançando juntos de alguma forma. Eu sei que isso é bastante sentimental, mas eu os amo e sinto a falta deles.

Bay Windows: Eu vou mudar de assunto e dizer que eu amei a música “Rocking Chair”.

Cyndi Lauper: Não é engraçada? Aqueles caras do Basement Jaxx são loucos, mas tão brilhantes! Eu tive muita sorte com esse cd. Eu viajei até todas essas pessoas, eu apenas apareci com o que eu tinha e acabei me tornando parte dos seus mundos, como se de repente nós fossemos uma pequena banda. E esses caras do Basement Jaxx são totalmente geniais e malucos, então com quem mais eu poderia escrever a história de “Faye Delroy”, além deles?

Bay Windows: Mas quem é Faye Delroy?

Cyndi Lauper: Ninguém. Ela era de uma história de um livro que eu estava lendo. Eu escrevi um monte de coisas de livros que eu achei que eram bobos e engraçados e coloquei isso numa canção. E misturei isso com outras coisas. Você me conhece, eu gosto de enfeitar.

Bay Windows: Existe um contraste interessante em “Bring Ya To The Brink” entre as batidas modernas e algumas das letras, algumas delas são muito intensas.

Cyndi Lauper: Eu escrevi como se fosse “beat poetry” (beat poetry é um estilo de poesia que um grupo de poetas modernos criaram entre o final dos anos 50 e nos anos 60, eles são conhecidos como “beat generation” e escreviam sobre o fenômeno cultural e enfatizavam o inconformismo e a criatividade espontânea, uma mistura das questões mundanas com questões profundamente espirituais). Eu amo esses poetas como “Lawrence Ferlinghetti”. E o título de “Into The Nightlife” foi tirado da peça de “Henry Miller”. Eu amo a maneira como ele escreve, com humor e ritmo. Então eu tento escrever resumidamente como poesia. E isso está claro na rima! Eu acho que nossa responsabilidade como artistas é capturar o momento do tempo em que vivemos hoje, e descrevê-lo. Então daqui a anos, quando as pessoas ouvirem, elas vão dizer “Sim, as pessoas diziam isso, era isso que estava acontecendo naquela época!” Isso é o que nós fazemos. As músicas são como cenas. Então em “Into The Nightlife” eu tentei capturar a sensação de pequenas imagens de uma danceteria, ou depois da boate, quando você talvez vá jantar ou em algum restaurante 24 horas, no bairro de Chinatown, e você está conversando com seus amigos então você abre o seu biscoito da sorte e você diz “Olha, o biscoito da sorte concorda comigo!”. Eu tentei captar esses momentos. Então a música e a letra são como pequenas cenas dos lugares em que estive.

Bay Windows: Falando assim parece que o álbum é dividido em partes mas eu achei ele bastante coeso e suave. Foi difícil chegar nesse resultado?

Cyndi Lauper: Jeremy Wheatley foi quem mixou. Eu fiquei bastante impressionada com ele quando eu ouvi o remix que ele fez para a música da Goldfrapp “Ride a White Horse”, eu meu impressionei com o modernismo daquilo, enquanto eu estava ouvindo eu fiquei realmente envolvida pela cantora, eu consegui compreender toda a história que ela estava contando. Eu sabia que esse lance de sonoridades variadas que eu teria, trabalhando com todos esses artistas diferentes, poderia ser difícil de juntar, mas que se eu tivesse alguém como Jeremy aí sim eu poderia. Não lapidamos muito porque nós queríamos manter o sabor e a integridade de cada grupo com quem trabalhei e fazer com que tudo isso se encaixasse. E nós tivemos todo tipo de música dançante e fomos iluminados.

Bay Windows: E a True Colors Tour?

Cyndi Lauper: A turnê desse ano é realmente interessante, porque na maior parte nós teremos as mesmas apresentações. Carson Kressley será o apresentador de todos os shows e os B52’s se apresentarão em toda a turnê.

Bay Windows: Você vai se apresentar junto com os B52’s? Você tem que me avisar porque eu vou adorar!

Cyndi Lauper: Eu os adoro… Eles são muito divertidos. Eu sou amiga deles e é muito legal sair com seus amigos. Eu vou sair com eles em turnê, mas sair para nos divertirmos seria melhor ainda. Talvez eu tenha te dito isso no ano passado mas quando eu estava planejando a turnê e alguém me sugeriu que eu chamasse de True Colors Tour, e eu pensei, essa canção significa muito para a comunidade (a comunidade GLBT), como eu poderia fazer sem incluir a comunidade? Eles significam muito para mim. Em 2003, eu estava no jantar da Human Rights Campaign, e os B52’s estavam se apresentando, e eu estava assistindo eles e pensando “imagina se nós pudéssemos fazer uma turnê juntos! E, claro, trazer a Human Rights Campaign conosco!” Então, eu esqueci disso por um tempo, mas aí a oportunidade chegou. Não foi possível no ano passado com os B52’s, mas esse ano deu certo. Então eu me sinto realmente abençoada, por ter uma inspiração e que ela possa acontecer. A vida é assim às vezes.

Bay Windows: Uma das grandes coisas da True Colors Tour é que ela mistura “grandes nomes” com “revelações”. É difícil juntar o elenco?

Cyndi Lauper: Eu apenas convido, e espero o programa se formar. A programação é difícil. Eu estava sempre dizendo: “oh por favor, por favor, por favor, será que a gente consegue a Joan Armatrading”, e agora ela está em parte da turnê. Eu vou adorar se ela começar cantando minhas músicas favoritas. Ela é tão boa!

Bay Windows: E que voz!

Cyndi Lauper: E ela é tão cheia de Soul (de alma, e também refere-se ao estilo musical “soul”). Ela é uma artista incrível! Eu adoro ter a Ro (Rosie O’Donnell), ela me faz rir tanto. Regina Spektor é genial. The Cliks detonam! Lukas está no vídeo que eu acabei de filmar, eu gosto de ter minha família e meus amigos nos meus vídeos. Nós temos Nona Hendryx, e Joan Jett vai participar no dia do meu aniversário, e Wanda Sykes, eu a amo! Então, serão momentos incríveis e um verão maravilhoso!

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