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Sobre exclusão social e desemprego

Postado por Leonardo Salo | December 27, 2007

Não dá pra falar em desemprego sem falar em exclusão social, já que o desemprego é talvez um dois maiores fatores de exclusão social que conhecemos. O desempregado (ou o sub-empregado, com salários que não satisfazem às suas necessidades básicas) não pode viajar, ir ao cinema, ao teatro, etc… Não pode se divertir e não pode nem estudar se qualificar para melhorar de vida. Não pode também dar boa educação aos filhos, não pode ficar doente; pois não tem recursos financeiros para se tratar, não pode ter acesso a condições dignas de habitação e muitas vezes não tem nem o que comer, há realmente uma exclusão; uma privação das necessidades físicas ou mentais do indivíduo

Os efeitos de estar desempregado são em geral traumáticos, profundamente pessoais e não se restringem à perda dos rendimentos e do poder de consumo. São também altamente variáveis de acordo com personalidade, sexo, idade, classe, tipo de ocupação anterior, histórico de vida e grau de desemprego dentro da localidade imediata e/ou família. As pessoas desempregadas vivenciam problemas  sociais, psicológicos e físicos.

Entre os efeitos psicológicos identificados como ligados ao desemprego incluem-se resignação, auto-estima negativa, desespero, vergonha, apatia, depressão, desesperança, sensação de futilidade, perda de objetivo, passividade, letargia e indiferença.

Entre os efeitos sociais incluem-se pobreza, perda de status, perda de disciplina temporal e rotina diária, desagregação da vida familiar, incluindo o divórcio e várias formas de comportamento anti-social, incluindo roubo, tráfico e vandalismo.. Entre os efeitos físicos incluem-se várias formas de doença, insônia, tensão e ansiedade, resultando às vezes em embriaguez, drogas, violência intra-familiar, maus tratos a crianças e tentativa de suicídio.

É um problema de exclusão social, que traz todas essas  conseqüências, algumas evidentes e algumas não tão evidentes, mas que também são extremamente destrutivas. Sem emprego, a pessoa sente-se diminuída em relação às demais; seja no meio familiar ou  entre os vizinhos e / ou amigos. O fato é que a desesperança de conseguir um novo emprego e a agonia de não poder dar a si mesmo e à sua família a qualidade de vida que gostaria causa infelicidade, podendo inclusive  levar o indivíduo a desenvolver doenças de cunho psicológico, em casos extremos uma depressão provocada por estes fatores pode até mesmo levar ao suicídio.

Sem contar que muitas vezes, o desempregado é injustamente taxado e tratado como vagabundo pela sociedade, fato que contribui e aumenta a exclusão, afetando ainda mais o lado psíquico, aumentando sua sensação de incapacidade e que ao longo prazo, o desemprego e a exclusão social podem incentivar o crime como alternativa para a “desexclusão”.

Outra questão a ser debatida é o ciclo que acaba se formando. A exclusão social leva ao desemprego e o desemprego leva à exclusão social. Tomemos como exemplo a educação em nosso país. Temos em 2007 cerca de 60 milhões de pessoas que não completaram o ensino fundamental. O pedagogo Sérgio Haddad descreve com precisão este fenômeno: “Quem está nas piores condições sociais recebe o que há de pior em educação.”

O fato é que em às vezes as pessoas não se dão conta que o desemprego e a exclusão social se tratam de problemas sociais que não resulta exclusiva nem prioritariamente da incapacidade ou de erros individuais, mas sobretudo das mudanças econômicas sociais e tecnológicas ocorridas na sociedade nos últimos anos.  Torçamos porém, para que isso mude (e logo).

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1 comentário to “Sobre exclusão social e desemprego”

  1. Áurea Says:
    September 4th, 2007 at 6:07 am

    Relativamente ao conteúdo deste tema em minha opinião é das melhores abordagens que tive oportunidade de ler em espaços como este.

    Sendo o desemprego um fenomeno actualmente crescente no nosso país, abordagens como esta deveriam ser colocadas nas nossas caixas de correio, tal como a invasão de publicidade de supermercados que nos convidam ao consumo,e da mesma forma nos entopem com publicidade quando se aproximam as eleicçôes, igualmente colocadas nas estações de metro, e todo o tipo de transportes públicos , particulares, casas de comercio,etc.
    Desta forma a visão que grande parte da sociedade faz dos desempregados, alcunhando-os de quererem viver á conta do estado, poderia ser alterada por meio de uma maior refleção.
    Todo á nossa volta é uma constante dinamica que nos surpreende e ás vezes assusta , outras vezes nos projecta para lá de tudo o que sonhamos.
    Refletir sobre nós e aquilo que nos rodeia é um dever, mais é a nossa forma de estar no mundo .

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