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Desabafo biblioteconômico

Postado por Leonardo Salo | August 28, 2007

Um desabafo biblioteconômico. Acho que posso chamar assim este post. Acho que ninguém se dará ao trabalho de ler tudo isso, pois sinceramente há muitos posts melhores que este (possivelmente todos). Mas enfim, já que tenho o espaço, farei dele meu pequeno refúgio, meu pequeno grito mudo de desabafo frente a tantas coisas que vêm me desagradando em minha profissão desde a minha entrada na faculdade.

Talvez esteja escrevendo um monte de besteiras, ou talvez alguém já tenha realizado estes questionamentos, mas enfim… O que importa?

Para mim na verdade, o que importa é que estou quase um ano desempregado. O dinheiro foi-se. A motivação e a auto-estima, de vez em quando fogem também, mas eu tento de todas as formas agarrá-las pelo rabo e tentar trazê-las de volta para dentro e mim. Nesta hora me lembro de exemplos como o de Tronco. Me lembro de conselhos, como o que eu mesmo postei no blog e tento seguir adiante…

É então, que mesmo quando não consigo motivação para estudar, tento ocupar meu tempo com algo útil ou pelo menos não tão inútil para que eu não fique pensando besteiras o tempo todo.

Bloe e site ajudam, as besteiras que escrevo e não mostro a ninguém também ajudam. Ajudam a me esquecer de me lembrar de que apesar de ter falado a verdade numa das primeiras aulas de Biblioteconomia na UFF, fui alvo de incredulidade por parte de alunos e professores. Minha primeira decepção biblioteconômica.

Quando criança, eu brincava de bibliotecário. Isso mesmo. Tinha minha meia dúzia de livros classificada e catalogada da minha maneira, tinha meu livro de tombo, fazia empréstimos, etc. E olha que vez por outra até convencia alguns coleguinhas a brincarem de biblioteca comigo!

Quando contei isso na sala no Instituto de Arte e Comunicação Social da UFF percebi o espanto de alunos e professora. Vi que não acreditaram. Também, no curso onde boa parte dos alunos entra pela baixa relação candidato-vaga, quando entra algum no curso desavisado que, já demonstrava desde criança o desejo de ser bibliotecário, é melhor dar a resposta padrão: queria trabalhar com informação. A resposta que todo mundo que nem sabe o que é biblioteconomia dá quando entra do eu dizer a verdade.

Foi lá mesmo, na UFF, onde não consegui formar um DA por incompatibilidade de propostas. Queria eu promover debates e palestras e queriam as pessoas do DA promover festas e afins. Lembro-me ainda dos politizados estudantes que criticavam a postura de alguns professores, e na frente dos mesmos professores, cadê as reclamações? Nada diziam das opiniões que gritavam na ausência dos professores…

Aliás, haviam ALGUNS professores que de fato…

Professor que não ensina tudo o que pode, professor que falta mais do que vai á aula… Professor que… Enfim, melhor parar por aqui antes que eu fale demais.

Vamos pular a UFF…

Quando finalmente terminei a facul, vi-me no mercado de trabalho e parara, parara…

Até que tive sorte. Não demorei muito a arrumar meu primeiro emprego depois de formado. Vi-me numa empresa privada de digitalização. Estava lá e tal, parara, parara…

Até que um belo dia surge uma pessoa de um órgão X, que veio até a empresa onde eu trabalhava para defender meus direitos de bibliotecário…

O que acontece depois disso? Demissão. Acharam que eu tinha levado a pessoa até lá…

A pessoa que foi pra me defender acabou me prejudicando e ficou todo por isso mesmo. Irônico, não?

No meu último emprego na Biblioteca de Manguinhos, fui demitido de meu cargo de prestador de serviços para dar lugar a um funcionário concursado. Deu até em Diário Oficial que eu (e mais um montão de gente) estava saindo para dar lugar ao concursado e parara, parara…

Mas a verdade é que não entrou concursado nenhum em meu lugar. Não há nenhum concursado que tenha entrado nesta leva de 2006 nem na minha ex-função e nem mesmo no meu ex-setor.

Ora, se eu saí por outros motivos, se a instituição entendeu que eu deveria sair, é óbvio que é total direito da instituição definir isso, mas acho que não deveria ter saído na leva de substituição. Se eu saí para ser substituído eu acho na minha modestíssima lógica de raciocínio que eu deveria ser de fato substituído. Se eu não saí pelo critério da substituição e sim por motivos outros, acho que não deveria meu nome ter saído em DO como se eu estivesse saindo da instituição pela substituição.

Descobri ainda que uma certa senhora muito ética queixava-se de meu comportamento anti-profissonal. Ora, gostaria muito de saber o que é ser anti-profissional no dicionário da dona Fulana Coisinho. Fofoquinha com chefe é profissional, então? Melhor ficar quieto antes que comece também a falar demais.

 

Vi-me sem emprego então em Outubro de 2006 e estou nessa até hoje. Entrevistas? No máximo umas cinco em todo esse período. Meu QI anda baixo, pelo que percebi, estou F… e nessas cinco entrevistas que fiz: cadê que me perguntaram sobe novas tecnologias, se estou familiarizado com o tal advento das novas tecnologias? Só me pedem mesmo é experiência em catalogação e classificação!

Foi então que passei a meditar sobre meu início na facul. Os garotos do morro jogando bola e tal e eu indo estudar. Achavam-me metido, me lembro que eu ia pra faculdade e eles brincando na rua. Hoje estão todos empregados apenas com segundo grau, alguns com carro e eu aqui:

Bibliotecário!

E fudido. Sem grana pra nada e dependendo de ajuda financeira de parentes.

O idioma português deve ter ido pra casa do cacete nesse post insano. Provavelmente eu tenha falado demais, tenha dito asneiras, ou talvez não, sei lá. Talvez alguém já tenha tido alguns questionamentos semelhantes.

Acho que vou reler meus posts sobre Tronco e sobre motivação e continuar em meu caminho, mas eu precisava desabafar… Sinto-me 0,3 % melhor agora!

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2 comentários to “Desabafo biblioteconômico”

  1. liliancasimiro Says:
    August 28th, 2007 at 3:20 pm

    Cara, eu estou quase me formando e já estou desesperada porque não me vejo em nenhuma empresa privada, eu imagino como vc esteja se sentindo. Eu estou assim por antecipação.

    Boa sorte!

    LiLIAN

  2. Bruno Says:
    September 1st, 2007 at 1:55 pm

    Bom, estava eu navegando pela internet durante uma aula de filosofia na instituição onde trabalho e estudo quando me deparei com o seu post neste bog…
    Imagino a dificuldade que vc deve estar passando, mas nao entregue os pontos. Não deixe de estudar, continue melhorando seus conhecimentos porque o reconhecimento pode demorar, mas quando bem qualificado ele nao vai falhar.

    Abraço e força!

Comentários