Apareceu nos jornais, internet, televisão e rádio. E muitos morreram de rir. O brasileiro Joel Santana, o carioca Joel Santana, o suburbano Joel Santana, que gramou muito na vida até chegar a técnico da seleção da África do Sul, resolveu falar inglês. Há um ano no cargo, Joel se viu na obrigação de aprender uma das línguas faladas pelos sul-africanos. Um esforço louvável, de quem nem mesmo domina com a habilidade dos gramáticos a língua portuguesa.
Mas aí surge o preconceito. A crítica fácil. A falta de respeito. Ou alguém que morreu de rir do inglês ainda bruto de Joel é capaz de se comunicar com fluência invejável numa entrevista coletiva, em inglês, para jornalistas do mundo todo? Joel Santana mostrou coragem. Mostrou humildade ao não exigir para sempre um intérprete. Mostrou aos jogadores que quer ser compreendido e compreender.
Virou chacota. Como se falar inglês mal fosse uma vergonha, uma mostra de incompetência. Será que os senadores brasileiros, há semanas aparecendo nas capas dos jornais como protagonistas de mais uma vergonha ética, falam inglês bem? E os poliglotas criminosos de colarinho branco? Tiveram a chance de aprender inglês na infância e juventude e usaram esta benesse para simplesmente roubar a previdência, fraudar os cofres públicos, sonegar impostos e outras mazelas que envergonham qualquer brasileiro que só saiba falar português.
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