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Imponha limites ao trabalhar com um amigo Sucesso da relação depende de regras que garantam respeito e confiança

Postado por Lote Cultural | October 30, 2008

Por Lilian Burgardt

Suzana indicou o amigo Carlos para ser seu colega na empresa, seis meses depois, ele foi demitido por fraude. Márcia era amiga de Flávia, até ser obrigada a demitir a colega e lidar com seu rancor. Fabrício surfava com Andreas, virou seu subordinado e não agüentou nem dois meses. O que será que aconteceu para que relações de amizade se perdessem a partir do momento em que os personagens passaram a se relacionar no ambiente de trabalho? Afinal, será impossível trabalhar com um amigo e manter tanto a qualidade do relacionamento pessoal como profissional?

Especialistas acreditam que apesar de sobrarem histórias sobre o fim de grandes amizades quando migradas para o ambiente corporativo, o relacionamento só está fadado ao fracasso quando falta um item indispensável para seu sucesso: limite. “Ele servirá para garantir que ambos os amigos não adotem uma conduta permissiva ou intransigente demais, regras que estabeleçam, acima de tudo, condições para se manter o respeito e a confiança na relação”, defende o especialista comportamental, Jô Furlan.

Caso o limite tivesse sido aplicado nos exemplos acima, o resultado poderia ser outro. A opinião é consolidada entre consultores de carreira. Quem indicou um amigo teria co-responsabilidade sobre sua postura profissional, já que a indicação é um endosso para que a empresa considere o indicado confiável. Portanto, indique quem você realmente confia, não o conhecido. Se indicar, acompanhe, oriente, alerte. Não deixe que o comportamento negativo do colega respingue em você. Caso precise demitir um amigo por decisão da empresa, chame-o para uma conversa franca fora do ambiente profissional. Explique a situação e não resuma seu discurso a um simples “sinto muito, não pude fazer nada”. O relacionamento com o amigo chefe está insustentável? Não o odeie, converse. Use a assertividade a seu favor e esclareça as dificuldades que tem ao lidar com seu comportamento no dia-a-dia.

Quem entende do assunto, revela que dar retorno negativo para um amigo é uma decisão bem difícil. Muito profissional prefere guardar o problema para si, do que abrir o jogo com o ‘camarada’. Daí a importância de ser sincero na relação e estabelecer, desde o início, regras que orientem a conduta de ambos no ambiente de trabalho. É preciso deixar claro até onde seu amigo pode ir com as críticas construtivas, com as negativas, com as piadas e com a intimidade no ambiente profissional, mesmo que tenham se conhecido no trabalho e, com o tempo, tenham se tornado amigos.

“Quem tem um amigo no trabalho, porém, precisa saber que essa relação deveria ajudá-lo a ter liberdade para conversar sobre suas dificuldades. O amigo no trabalho é aquele em quem você confia para se abrir, em quem você se apóia nas dificuldades e aprende ao trocar idéias e opiniões. Na minha visão, ele ajuda a deixar o fardo mais leve”, acredita a gerente de Recursos Humanos da Unifieo (Centro Universitário FIEO e professora da FAC-FITO (Fundação Instituto Tecnológico de Osasco), Maria Bernadete Pupo.

Caso o amigo já tenha passado do limite algumas vezes, é natural que você se sinta ofendido e queira retrucar em determinado momento. Nessa hora, é preciso manter a calma e ter uma conversa franca. Aí entra outro ponto importante: a assertividade. “Sempre digo isso, quem pensa que pode dizer o que quer e acha que isso significa sinceridade está equivocado. A assertividade é o caminho para quem precisa fazer uma crítica sem ofender o outro”, destaca Furlan.

Ciente de que nem sempre é fácil manter a calma ao levar ‘fogo-amigo’, o especialista desenvolveu uma técnica que, pessoalmente, tem melhorado o relacionamento dele com sua equipe. Após o término de uma palestra ou evento da qual tenha conduzido, a equipe de Furlan precisa esperar, no mínimo, 12 horas, para tecer seus comentários. “Nós que trabalhamos com comunicação tendemos a ser mais sensíveis. Quando você está no auge do momento e com a adrenalina lá em cima por ter acabado de escrever um texto ou finalizar uma palestra, qualquer comentário pode gerar ruído. O melhor é esperar um pouco para assentar as idéias e ter calma para ouvir críticas positivas ou negativas”, explica.

FONTE: Universia

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